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O metro quadrado virou luxo e Curitiba está entrando na era do short stay

O apartamento encolheu. A Selic apertou a conta do aluguel tradicional. E o investidor começou a olhar para localização, liquidez e operação de curta permanência como uma nova tese de valor.

Prédios residenciais modernos em Curitiba representando compactos, short stay e valorização do metro quadrado

Existe um paradoxo no mercado imobiliário de Curitiba que pouca gente explica bem. Comprar um apartamento para alugar, no modelo tradicional, pode render menos do que deixar o dinheiro aplicado em renda fixa. Mesmo assim, os investidores não pararam de comprar imóveis. Pelo contrário, seguem comprando.

A explicação é simples: o investidor não desistiu do imóvel. Ele desistiu do imóvel pensado da forma antiga.

Durante muito tempo, a lógica era comprar um apartamento maior, alugar por doze meses e esperar a valorização acontecer. Hoje, essa conta mudou. O imóvel passou a ser analisado por localização, liquidez, eficiência de planta, demanda de uso e capacidade de gerar receita.

Em 2025, a Selic chegou a 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. No mesmo período, o retorno do aluguel residencial de longo prazo em Curitiba ficou em torno de 4% a 5% ao ano, segundo o Índice FipeZap. Pela conta tradicional, o imóvel parecia perder força.

Mas o mercado mostrou outra coisa. O investidor continuou comprando porque entendeu que o valor não está apenas no aluguel mensal. Está no comportamento.

A mudança que não tem volta

O número de domicílios alugados no Brasil saltou de 12,2 milhões em 2016 para 18,9 milhões em 2025, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Hoje, quase uma em cada quatro famílias brasileiras mora de aluguel.

Esse dado mostra uma mudança profunda de comportamento. Uma geração inteira passou a valorizar mais o uso do que a posse. A mesma lógica que transformou transporte, entretenimento e alimentação chegou à moradia.

Para esse público, morar bem não significa necessariamente ter mais metragem. Significa estar bem localizado, ter flexibilidade, acesso a serviços, praticidade e qualidade de vida.

Quando se juntam imóvel compacto, localização premium e demanda por flexibilidade, o apartamento deixa de ser apenas uma unidade residencial. Ele passa a ser um ativo de hospitalidade.

Por que os apartamentos ficaram menores

O encolhimento das unidades não é uma coincidência. É uma resposta racional do mercado a três fatores.

O primeiro é o custo de construção. Terrenos bem localizados ficaram mais caros, os custos de obra subiram e o metro quadrado passou a exigir mais eficiência.

O segundo é o novo perfil do morador. Muita gente aceita viver em uma unidade menor se puder morar em uma localização melhor, com áreas comuns mais completas e mais conveniência no dia a dia.

O terceiro é a lógica do investidor. Um imóvel compacto costuma ter ticket mais acessível, maior liquidez, público mais amplo e mais facilidade de revenda. Por isso, Curitiba passou a concentrar grande parte dos seus lançamentos nesse perfil de produto.

O short stay como resposta

É aqui que a tese do short stay ganha força.

Se o aluguel tradicional entrega uma rentabilidade limitada e o comportamento do consumidor mudou, a curta permanência aparece como uma alternativa mais aderente ao novo momento do mercado.

O short stay aproveita exatamente o produto que as incorporadoras estão entregando: unidades compactas, bem localizadas, com estrutura de condomínio e forte apelo para quem busca praticidade.

Em vez de depender de um contrato longo, com reajustes anuais e baixa flexibilidade, o imóvel passa a operar com giro, revisão constante de preço e diversificação de hóspedes.

Mas é importante ser honesto: short stay não é renda passiva. É operação. Exige gestão, padrão de atendimento, boa mobília, manutenção, tecnologia, precificação e respeito às regras de cada condomínio e de cada cidade.

A diferença é que, quando bem executado, ele transforma o metro quadrado em produtividade. O imóvel deixa de ser medido apenas pelo tamanho e passa a ser avaliado pela capacidade de gerar receita.

Por que Curitiba e por que agora

Curitiba reúne características importantes para esse modelo: qualidade de vida, crescimento econômico, tecnologia, ensino superior, turismo, saúde, mobilidade e uma região central com forte presença de produtos compactos.

Além disso, a cidade ainda está no início dessa curva. Em mercados mais maduros, a operação de curta permanência já está mais consolidada. Em Curitiba, ainda existe uma janela clara para quem souber escolher bem o produto, a localização e a estratégia.

Esse é o ponto central. O short stay não é uma moda isolada. É parte de uma mudança maior na forma como as pessoas moram, viajam, trabalham e consomem espaço urbano.

Curitiba não está no fim desse movimento. Está no começo.

E quem entra no início de uma mudança estrutural não disputa apenas preço no futuro. Ajuda a definir o padrão do mercado.

Os riscos também precisam ser considerados

Nenhuma tese séria se sustenta apenas com o lado positivo.

O aluguel tradicional em Curitiba ainda tem yield comprimido. O short stay depende de boa operação. Existe risco de excesso de oferta em alguns bairros e produtos muito parecidos podem disputar o mesmo público.

Também é preciso acompanhar regras de condomínio, possíveis mudanças regulatórias e o comportamento da demanda ao longo dos próximos anos.

Esses pontos não enfraquecem a tese. Pelo contrário, tornam a decisão mais consciente.

O investidor que entende o mercado não compra qualquer compacto. Ele compra localização, liquidez, diferencial de produto e potencial de operação.

O metro quadrado virou luxo

A pergunta do mercado já não é apenas quantos quartos o imóvel tem. A pergunta passou a ser onde ele está, qual público ele atende e quanto potencial de receita ele pode gerar.

A hierarquia de valor mudou. Localização, liquidez e eficiência passaram a disputar espaço com metragem.

Nesse contexto, pagar mais por menos metro quadrado não é necessariamente prejuízo. Pode ser estratégia.

O investidor que entendeu essa mudança está um passo à frente. Não porque tem mais dinheiro, mas porque leu o mercado antes de ele virar consenso.

Curitiba está entrando em uma nova fase. E o metro quadrado bem localizado, compacto e inteligente deixou de ser apenas espaço.

Virou luxo.

Foto de Keliston KovalskiLinkedin
Autor(a) da publicação: Keliston KovalskiCoordenador Comercial da Blue Empreendimentos

Estrategista e diretor comercial do mercado imobiliário, com forte atuação em Curitiba e região metropolitana.

Fontes

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